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Medina Carreira,
antigo ministro das Finanças arrasou o programa Novas Oportunidades,
classificando-o de "trafulhice" e "aldrabice". Além disso,
disse que Parlamento vale tanto como a Assembleia Nacional de Salazar.
Convidado da
tertúlia “125 minutos com...”, que decorreu ontem no Casino da Figueira da Foz,
Medina Carreira disse ainda que a educação em Portugal "é uma
miséria" e que as escolas produzem "analfabetos".
"[O programa]
Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os
alunos] não sabem nada, nada", argumentou.
O antigo titular da
pasta das Finanças criticou ainda a iniciativa dos Ministérios da Educação e do
Trabalho e da Solidariedade Social, que visa alargar até ao 12.º ano a formação
de jovens e adultos. "[Os alunos] fazem um papel, entregam ao professor e
vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono
ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por
mentirosos e incompetentes este país não tem solução", acusou.
As críticas de
Medina Carreira estenderam-se aos estudantes que saem das escolas."O que é
que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta?
Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga".
Defendeu um regime
educativo "exigente, onde se aprenda, porque os empresários querem gente
que saiba".
Questionado sobre a
avaliação de professores, Medina Carreira classificou-a de "burrice".
Admitiu, no entanto, que os professores terão de ser avaliados, desde que
exista "disciplina nas aulas, o professor tiver autoridade, programas
feitos por gente inteligente e manuais capazes", argumentou, arrancando
aplausos da assistência.
Parlamento vale tanto como a Assembleia Nacional de
Salazar
Medina Carreira
acusou os deputados da Assembleia da República de não terem voz activa,
comparando o Parlamento à Assembleia Nacional de Salazar. "Eles não valem
nada, não têm voz activa", disse.
"Salazar dizia
«ninguém mia» e ninguém miava. Agora é um fingimento, quem está na Assembleia
são os tipos escolhidos pelo chefe do partido, se miam não entram na
legislatura seguinte e como vivem daquilo têm de não miar", sublinhou.
Rotulou os deputados
de "obedientes" e "escravozitos que andam por ali na mão dos
chefes partidários".
"Sabem que se
falarem, não entram [nas listas]", disse, dando como exemplos o histórico
socialista Manuel Alegre e os ex-ministros Manuel Maria Carrilho e João
Cravinho.
"O Alegre
falou, correram com ele, ao Manuel Maria Carrilho deram-lhe um lugar bom em
Paris, o Cravinho começou a mexer na corrupção deram-lhe um lugar em Londres. E
aqueles outros que não podem ir para Londres nem para Paris, calam-se",
argumentou Medina Carreira.
Defendeu alterações
ao sistema eleitoral. "É um sistema de saco de gatos, o partido mete lá
(nas listas) 20 pândegos. Contaram-se os votos, saem cinco e o senhor foi um
dos cinco que saiu", ilustrou.
In: RR
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