| A Planificação das Urgência Hospitalares |
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| Por Carlos Santomor | |
| 30-Dec-2009 | |
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Exactamente porque nos aproximamos de mais uma data importante para todos nós, referimo-nos obviamente à passagem de ano e pegando apenas em alguns episódios do natal que aconteceu hà alguns dias, esperamos que os diversos serviços de saúde por esse país acima, sejam capazes de planear e organizar devidamente as suas urgências, para que não aconteçam episódios idênticos aos vividos por um número anormal de utentes, na passada noite de 24 para 25 de Dezembro. É triste e desolador que responsáveis de organizações de saúde, cuja função é organizar e implementar respostas adequadas, cara às necessidades das populações que vivem nas suas áreas de actuação, tenham partido na noite de natal, para as respectivas consoadas, esquecendo que os serviços que chefiam poderiam ser confrontados com sobrecargas de trabalho, tendo sobretudo em atenção o tempo e a época invernosa que atravessamos. Não estamos com isto a dizer que essas pessoas não tinham direito a desfrutar do seu natal em família, só não compreendemos, como é que no âmbito das suas responsabilidades, não se tenham organizado atempadamente, dando instruções aos respectivos serviços, para planificarem respostas capazes de enfrentar uma eventualidade de pico de serviço, falamos de organização e prevenção. É inadmissível que numa noite de natal, haja utentes que tenham de esperar até 24 horas para serem atendidos num serviço de urgência, como é de uma irresponsabilidade incrível que se agrupem em salas de espera públicas, afectados com a gripe A e outras contaminantes durante horas e horas, agravando os riscos dos restantes utentes, para além de que é incompreensível que perante uma situação excepcionalmente grave, não se tenha implementado sobre a própria marcha, um plano de emergência. Falamos de unidades de urgência que pela sua natureza e vastíssima área de populações a que assistem, tem obrigatoriamente de estar preparados para colocar em marcha planos de resposta, capazes de enfrentar as situações anómalas que lhes surgem de forma imprevista. Mas como se não fosse suficiente, tivemos na noite de natal, um serviço de urgência hospitalar neste país, com uma cobertura enormíssima, a funcionar apenas com um único médico, que teve de se manter ao serviço durante sessenta horas seguidas, mas aqui, há ainda um outro aspecto que impressiona qualquer alma. Falamos da falta de sentido ético e da irresponsabilidade demonstrada pelos restantes médicos do mesmo serviço, que sabendo o que se estava a passar, não foram profissionais, já para não falar do aspecto solidário, que os tivesse movido e feito avançar por iniciativa própria, na ajuda ao único médico que sozinho, fazia frente à avalanche que invadiu os respectivos serviços. Nenhuma alma de bom senso, consegue perceber estas anormalidades, como é igualmente inacreditável, que os responsáveis por esses serviços, não tenham sido demitidos das suas funções, logo no dia a seguir, pela senhora ministra da saúde. Melhoramos em muitos aspectos no campo da saúde desde o século passado, sobretudo na qualidade dos serviços correntes e especialidades, mas lamentavelmente, ao nível da gestão de saúde, continuamos a ter que enfrentar uma doentia incompetência, perceptível nos pequenos pormenores sempre que entramos numa unidade hospitalar, mas mais preocupante, porque se agrava conforme nos afastamos de Lisboa. As quintas sectoriais e os feudozinhos que ainda existem por esse país fora, muito ao estilo do século XIX, continuam desgraçadamente a criar problemas muito graves aos utentes, que sem força, não podem ir muito mais além do que praticarem a denúncia via televisão, por ser a única arma que tem ao seu alcance, aquela que ainda consegue obrigar esses baronetes que por aí proliferem, a levantarem as "bundinhas" (salvo seja) dos cadeirões, mas que deveria servir sobretudo, para os fazer a repensar a natureza das suas funções, para além da assinatura do despacho. Carlos Santomor |
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| Actualizado em ( 03-Jan-2010 ) |
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